O crescimento do mercado de
pets shops é um absurdo considerando que o Brasil continua sendo um país de
miseráveis.
É inegável que hoje temos mais
comida na mesa, eletroeletrônicos de melhor qualidade e viajamos com maior
freqüência, mas estamos longe de sermos
muito mais do miseráveis.
Afirmar que somos miseráveis
gera desconforto, vamos reconsiderar, talvez miseráveis em ascensão esteja
suficientemente próximo as nossas “áreas de conforto”, afinal olhar o mundo a
partir do primeiro andar é melhor do que estar no térreo.
Dar aula de economia ou
questionar erros, acertos e fazer projeções sobre números definitivamente não é
a minha melhor qualidade, competência
não falta para um longo e arrazoado texto apresentando considerações de parte a
parte.
Poderia começar pelas
teorias da mais valia, chegando as decisões de livre mercado, passando por
compras por indução, efeito recompra pela internet, cruzando pela
sustentabilidade e finalizando na teoria da libertação, a comercialização da teve
a cabo esta passando por crença religiosa, questões demasiadamente áridas para
as propostas do blog.
O fato é que estas são questões
menores, olhar a vida amorosamente é um ato de amor, mesmo que ela seja
absurdamente miserável.
Se de um lado as vendas de
produtos de pets shops estão crescendo assustadoramente, no outro lado existem
cãezinhos e gatinhos usando camas mais macias, comidinhas melhor elaboradas,
casacos, lenços, coleiras, saias e jóias
mais sofisticadas.
Tudo isto sem esquecer
carrinhos de bebês sendo usados para transportar os bichanos.
A luz da economia o alto
volume de vendas nas pets seria uma equação básica da oferta e procura, simples assim.
O que deixamos de considerar
é o agente, aquele que faz as aquisições e o mais importante a razão, porque
alguém gasta tanto em uma pet shop.
Algumas pessoas consomem mais
de R$ 120,00 por mês, valor do ticket
médio por estabelecimento, obtido a partir de pesquisa realizada em algumas lojas
em diferentes regiões de Porto Alegre.
Evidente que existem
exceções, gastar trezentos reais ou mais não é incomum, isto sem considerar
mudança da estação e a renovação do
enxoval, novos lençóis e cobertores, correntes, coleiras com assinatura de
griffes.
Quando a família tem filhos
o bichano passa a ser o mano, usa camiseta do time, senta no sofá nos jogos da
final, em fim a zorra é total.
Pessoalmente confesso que
relações com os meus animais de estimação e cães sempre foram os meus
favoritos, nunca excederam ao correr junto pelas ruas da cidade, tomar banho de
mar, deixar pular na cama para fazer uma “festinha”, colocar a cabeça no colo e
aguardar a vez para comer um petisco do churrasco.
Conheço casos em que o
bichinho tem lugar na mesa, tem prato igual e as pessoas da casa não devem ter
certas “liberdades”, eles podem ficar nervosos.
Mas afinal porque as
relações chegaram a este ponto, porque os animais estão ocupando tanto espaço e
em alguns casos se tornaram os tiranos de
alguns membros da família.
A grosso modo se pode
afirmar que fácil mesmo é transferir afeto, difícil é transferir medo, derrota
e dor.
Quando alguém se entrega em
amor, atitudes e presentes a um bichano, em condições consideradas exacerbadas,
exatamente o que ela esta fazendo, ou melhor, o que ela esta tentando dizer?
Acredito que ela esteja
retribuindo um olhar amoroso que somente aquele cachorro ou aquele gato são
capazes de ofertar.
Olhar amorosamente supera
toda e qualquer capacidade de entendimento do mercado ou da economia, é apenas
e tão somente inexplicável.
No filme Sempre ao seu lado
todos choramos e nos divertimos com o cãozinho Hachi, mas nada é mais forte do
que os olhares trocados entre ele e o dono, interpretado por Richard Gere.
Cumplicidade, respeito,
amizade, carinho, dignidade, alegria, felicidade e um eu sei o que você esta
sentindo que somente os nossos bichos são capazes de saber, sensações que tiram
o chão e nos devolvem a vida.
Gastar os tubos para
materializar gratidão e amor, talvez não seja a melhor das alternativas, mas
liberdade também pode significar eu amo você.
O fato é que nem mesmo os
nossos maiores amores são ou foram capazes de traduzir aquele olhar que vigia nossos
passos, vela nosso sono e óbvio baba a nossa cara na hora de dizer....bom
dia vamos correr, preciso me exercitar...
Talvez a individualização
não seja o norte para gastanças em pet shop.
Talvez os bichanos possam
ser apenas sinônimos de alegria e felicidade, porque olhar amorosamente deveria
ser nossa melhor forma de ver a vida sempre.
Das frases atribuídas ao
filme Sempre ao seu lado, sugiro esta como reflexão ... se eu morrer antes de
você, acho que não vou estranhar o céu, porque estar como você é um pedaço
dele...
Que as Pedritas, Megas,
Argus, Krueis, Zeus e os Marvins estejam atentos e aguardando os nossos
reencontros, até lá transferir afeto esta permitido, olhar a vida amorosamente é
a minha sugestão.
Seu relato é bem real,e sabem porque as pessoas se apegam aos animaizinhos ? Porque eles não falam, apenas sacodem o rabo em agradecimento, não retrucam,não teimam, são fieis, se fazem algo de errado e os enxotamos, não ficam com magoas, e outras coisas que relatadas aqui vamos ficar sem espaço, por isso gastamos as vezes o que não temos para dar-lhes um mínimo de condições de boa vida, mas evidentemente sem exageros, somos AMOROSAMENTE retribuídos ao CARINHO que recebemos.Beijos e bom dia !!! e boa semana, não gaste em exagero,lembre-se do amanhã.
ResponderExcluirSENSACIONAL! Ontem mesmo falava com um profissional da odontologia e ele disse: Deveria abrir um pet shop e fechar meu consultório!
ResponderExcluirÉ inacreditável minha amiga, ele tem razão.
Quanto a transferência de amor e valores? Concordo plenamente contigo em tudo...mas...O IMPORTANTE É SER FELIZ! Cada um no seu modo.