quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Porque os monstros se criam.


Não raras são às vezes em que assistimos noticiários informando que uma escola foi invadida, “uma pessoa” atirou, matou e feriu crianças, professores e funcionários,
Telejornais contam que aqui, ali ou naquele tal Estado alguém teve seu corpo incendiado por “algumas pessoas”. Elas atearam  fogo em um ser humano que dormia sob a marquise do prédio da avenida x.
Jornais estampam fotos de uma mulher que foi agredida e a perícia não soube precisar quantas foram as estocadas, quantos foram os golpes que determinaram a morte daquela pessoa.
Trabalhadores saem para buscar sustento, são agredidos, assaltados, subjugados, alguns não sobrevive à dor física e morrem outros sucumbem ao ataque moral e psicológico.
Pessoas são contratadas, apaixonam-se literalmente pelos seus afazeres, mas não sobrevivem ao “ambiente organizacional”.
Esqueçamos as avaliações, os ensinamentos e as regras sugeridas por Freud, Jung, Lacan e tantos outros.
Pensemos apenas em amor, em carinho, em sim, em não, em pode, não pode e principalmente no vá em frente porque se você quiser voltar estarei aqui, confie em mim, confie em você.
Os processos de educação e construção de um Ser Humano passam necessariamente pelo sim e pelo não, independentemente da situação social ou econômica e isto é fato.
Desde criança nos contam histórias de fadas, de reis e rainhas, que são atacados por monstros,, bruxas e exércitos. Invariavelmente as fadas operam milagres grandiosos, os bons reis e as boas rainhas sempre vencem a tudo e a todos.
Crescemos, começamos a escolher nossos livros, nossos filmes e nos deparamos com Drácula, Frankenstein, A Múmia e vários outros monstros que sempre são vencidos pelos mocinhos e mocinhas das nossas histórias adolescentes.
Agora somos adultos e começamos a nos deparar com notícias impactantes.
A escola foi invadida, o mendigo incendiado, a mulher assassinada, o trabalhador assaltado, a paixão pelo trabalho passou a ser raiva, ressentimento e dor.
Cada cultura cria seus próprios monstros.
Criar monstros significa deixar nascer, fazer crescer e para que isto aconteça, será necessário alimentá-los.
Importante lembra que quem faz nascer, crescer e alimenta monstro possui o exclusivo poder de gerar sucessores.
O alimento nosso de cada dia pode ser amor e carinho ou medo e ódio.
Voltando aos pais da psicologia encontramos algumas definições, reflexões muito importantes, dentre elas de que somos o resultado do meio, somos a soma de nossas experiências, somos a herança genética que definiu nossas emoções, somos, somos, somos...
Podemos migrar para justificativas religiosas, podemos dizer absolutamente tudo sobre tudo que nos leve a compreender porque os monstros se criam.
A minha teoria é a de que em algum momento eles não receberam um sonoro não.
Alguma coisa meio assim... não você não pode, não você não deve, não faça porque não é correto...
E quando o não “justificado” não resolveu dizer não porque eu não quero surte efeito.
As doenças nossas de cada dia tem raiz em algum momento de abandono, de medo, de tristeza e ressentimento.
Buscar respostas no alto conhecimento é a fração ideal, mas quando condições adversas não permitem, livre-se de suas dores, crie coragem e vá em frente, a melhor resposta, o melhor caminho esta no amor que existe no seu coração, afinal dar a luz ao filhinho do Frankenstein será horrível, a foto dele nunca será divulgada na sua página do facebook.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Estátuas de Sal


Conta a Bíblia que Deus inconformado com ambiente pecaminoso de Sodoma e Gomorra resolveu fazer chover fogo para destruir ambas as cidades.
Com piedade de um homem chamado Ló, Deus resolveu salvá-lo juntamente com sua família.
A única recomendação foi ... fujam sem olhar para trás, caso em contrário serão transformados em estátuas de sal.
A esposa de Ló não resistiu e por distração ou curiosidade, olhou para trás e virou estátua de sal.
E nós, passados mais de dois mil anos, quantas vezes viramos estátua de sal. Quantas vezes nos últimos anos, nos últimos meses, nas últimas semanas, enfim nas últimas horas?
Curiosidade e distração não nos transformam reféns de episódios nefastos, mas apego ao passado e rejeição ao novo podem trazer insônia, tristeza, infelicidade, dor e doenças.
Quem de nós não tem um amigo ou amiga,  que não consegue parar de falar naquele ex.
Ex-namorado, ex-chefe, ex-amigo, ex-marido, ex-projeto, ex-salário, ex, ex, ex.
Esta pessoa pela qual nutrimos carinho, atenção e amizade, é sem sombra de dúvidas uma estátua de sal.
Há que se considerar que este “personagem” também esta presente em nossa história pessoal.
É verdade que vez ou outra ser a apegada, a chata, a triste a inconsciente, na “medida certa”  esta ok, vamos sobreviver e o ecossistema agradece.
A questão é não parar de referir a cada nova situação, mesmo que ela esteja distantes milhares de quilômetros, que aquele fato é igual a experiência x, y, z.
Todos os homens são pegadores, todas as mulheres são traídas ou  todos os homens são burros, todas mulheres aproveitadoras.
Experiências passadas passaram, já aconteceram.
O que existe de real e de concreto é que sabemos como elas são e isto nos torna melhor.
A cada nova vivência sempre seremos mais experientes e, por conseguinte ainda mais atilados ao novo.
Aquele telefonema ou email que você não recebeu daquela pessoa incrível, pode ser explicado por um ...  putz não deu tempo, esqueci, perdi o número, o endereço, mas isto deve ter prazo de validade.
Ficar preso ao ontem é não querer viver, provar e testar novas e  enriquecedoras experiências que nos rodeiam todos os dias.
Decidir transformar-se em estátua de sal pode nos dar uma única garantia, a estagnação.
O telefone não tocou o email não chegou o casaco não voltou, não crie problemas apenas permaneça com as melhores imagens daquilo que realmente foi bom e prazeroso, diferentemente disto você estará começando a salgar seus pés, suas pernas, seu corpo, seus braços e finalmente seu cérebro e o seu coração. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O que faz você feliz?


As definições de felicidade tratadas à luz das religiões são diversas e adversas.
Felicidade é a capacidade de vencer problemas.
Felicidade é dar sem nunca pedir nada em troca
Felicidade é o encontro com a plena realização.
Felicidade depende das qualidades próprias do individuo e não do estado material em que se acha.
É evidente e inquestionável o fato de que felicidade é um momento, um ato, uma lembrança, um sorriso, uma imagem, enfim alguma coisa, lugar ou pessoa que tocam ou tocaram nossos corações.
Seria demasiadamente triste, enfadonho e até deprimente sermos e estarmos felizes o tempo todo.
Termos ao nosso lado somente as pessoas que amamos e que nos amam cem por cento do tempo, seria um caos.
Neste “universo perfeito” a vida seria sem brigas, sem discórdias, sem bate boca, sem cala a boca, sem não porque não quero ou ainda não me enche o saco, vai-te catar, sai daqui sua isto, seu aquilo.
Em uma vida de total felicidade nossos colegas de trabalho seriam pessoas fantásticas, maravilhosas, acima de qualquer suspeita, nunca haveria qualquer fofoca ou disque me disque.
Nem tanto ao céu, nem tanto a terra.
Discussões foram feitas para ajustes e encontro de idéias, definições e decisões.
Pessoas são sinônimos de suas realidade e isto é o melhor da vida, portanto vez ou outra discordar, faz parte do jogo.
Temos necessidades, desejos e sonhos diferentes.
O que faz você feliz?
Girar a chave e abrir a porta da casa nova.
Mapear a onda perfeita.
Mergulhar em Noronha.
Acordar no meio da noite, olhar a pessoa que você ama e dizer, como você me faz feliz.
Entregar o projeto de expansão para seu chefe e ele dizer, perfeito parabéns.
Tomar banho de chuva sem medo da gripe, de estragar o sapato novo ou de desmanchar a chapinha.
Assistir o show da sua banda favorita, na primeira fila e ainda passar no camarim para dar abraço, tirar foto e ganhar autógrafo.
O que faz você feliz?
Reconhecer suas fragilidades e saber é capaz de superá-las
Dormir de conchinha em noite de inverno, naquele hotel da serra com muita chuva lá fora e no quarto apenas vocês e o calor da lareira
Seu filho chegar da escola e dizer ...descobri que você é a pessoa mais importante da minha vida...
Viajar, sem parar, indo para vários lugares, estando lá e acolá sem referências, porque você escolheu não ter tempo, não ser amado, não ser desejado e mesmo assim ser feliz.
O que me faz feliz?
Saber que você esta lendo este texto e que por alguns instantes consegui fazer você pensar sobre, o que faz você feliz.
Muito obrigada pela oportunidade.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Avenida dos loucos


O faz com que as pessoas parem para assistir o resultado de um acidente de transito. Atitudes como esta criam transtornos, bloqueiam vias, criam engarrafamentos, prejuízos, quando não novos acidentes.
Que estranho poder tem uma briga pública onde duas ou mais pessoas se “pegam” seja por palavras, atos ou mesmo por vias de fato.
Porque o desespero, o sangue, a angustia, a maledicência, a insanidade e a raiva atraem tantos olhares?
Porque tantas pessoas investem tanto do seu tempo assistindo a degradação e a loucura do ser humano?
Porque o folhetim Avenida Brasil, atrai tanto olhares?
Venho buscando respostas, mas nenhuma delas convenceu ou minimizou dúvidas.
Fiz tentativas, vez ou outra zapeando o controle tentei permanecer por mais de dez minutos assistindo a novela, mas foi impossível.
Todos os núcleos, assim são chamados os espaços onde estão “configurados” os personagens, são de total e absoluta demência.
A casa do brisa tem de tudo até bulling com  uma doce, carente e delicada criança que em vão tenta ganhar carinho e atenção, isto sem contar com a avó doida que berra e exige valorização da família, impondo a chamada “moral de cuecas”, mentirosa, falsa e adultera.
Tem ainda o milionário bígamo que segundo soube, agora ele é pobre, a criatura possui três mulheres todas insanas que disputam palmo a palmo o Don Juan.
A dona do salão viveu anos esperando a louca mor largar o brisa e por conta desta espera usou e abusou do amor e da dedicação do dono do bar. 
Tem ainda ao que eles estão chamando de Dona Flor, que violência com a obra do Grande Jorge Amado.
Mas de tudo o que realmente impacta são os personagens do lixão.
Uma novela escrita por  Manuel Carlos, criaria alternativas produtivas para os envolvidos naquele núcleo.
As crianças iriam a escola, a reciclagem do lixo seria uma forma de cuidar do planeta e os adultos seriam pessoas sofridas, magoadas, ressentidas mas com expectativas de que ainda é possível mudar o futuro.
E as protagonistas,  alguém tem dúvidas que Nina e Carminha são iguais, feitas da mesma massa, possuem o mesmo DNA, uma louca pela vingança a outra louca pela vingança.
Enfim não há um único núcleo ou  personagem saudável, a avenida é de loucos, insanos, dementes.
A pior de todas as respostas que recebi para a questão, porque tantas pessoas assistem o panfleto foi... isto é o Brasil....
Como assim “cara pálida” temos nossos doidos, corruptos, bandidos, mas inegavelmente somos trabalhadores, determinados, inovadores e dotados de uma capacidade absurda de criar todos os dias um novo dia, apesar de todos “eles”.
A única explicação que beira o aceitável é a qualidade dos atores, em sua quase totalidade são de primeiro escalão, mas definitivamente a mim não convence.
Agora vamos combinar que na terra nostra os laços de família levaram o porto dos milagres encontrar o clone na terra dos milagres com as mulheres apaixonadas e que a senhora do destino que tinha celebridade e belíssima na america onde o paraíso tropical não tinha duas caras nem era favorita mas mostrava o caminho das índias para viver a vida com passione, enfim rir, chorar, aprender ou mesmo torcer por alguns personagens, sempre foi melhor do que ficar no sofá esperando passar a Avenida dos Loucos. 

domingo, 2 de setembro de 2012

Eles preferem as doidas.



Escrever aqui é um projeto há muito adiado.
Ficar diante desta tela com o que imaginava ser uma “firme determinação”, algo do tipo ... pronto é hoje, vou começar a escreve ...aconteceu algumas vezes.
Uma determinação tão firme que era transferida para  amanhã, depois e depois.  
Passaram-se tantos meses que hoje quando um belo domingo de o sol chama para passear, olhar ruas calmas, parques tomados por gente sem pressa, curtindo a família, sem qualquer “plano” que não seja ver o dia acontecer, cá estou.
Sem planos, sem firme determinação que não seja esperar um bom filme na TNT, sento diante desta telinha e começo a escrever o primeiro de muitos textos para o meu blog.
Em alguns dos momentos de “firme determinação”, cometi a impropriedade de anunciar para alguns amigos o inicio deste projeto e pasmem, referi o título do primeiro texto Eles preferem as doidas.
Não sei como acontece o processo de criação dos escritores, jornalistas, blogueiros, enfim gente que usa as palavras para externar o sentir em suas mais diversas formas e estágios.
Quero crer que de alguma forma eles estiveram próximo aquilo e, portanto aptos a opinar, testemunhar, esbravejar, expor sua raiva, dor ou o que é melhor o relatar o prazer incondicional por ter vivido aquela experiência. 
Eles preferem as doidas não é diferente.
Estar apaixonado, amando alguém é sem sombra de dúvidas um dos melhores momentos das nossas vidas.
É sentir frio na barriga, um amigo disse certa feita que este sentimento traduz tesão, talvez ele esteja certo.
Enfim frio na barriga,  mão gelada, tremedeira quando ele te abraça dormir de conchinha, vinho e boa comida, noites, manhãs e tardes inteiras de sexo, risadas, pouca comida e lezera total.
Importante mencionar que ingredientes como amizade, respeito à individualidade, espaços predefinidos e construídos a partir do acho que é legal assim, isto não me faz bem, não gostaria de repetir modelos e mais um pitada de é bom para nós, é bom para o nosso futuro, faz parte da receita para o prato ideal, relacionamentos maduros e prazerosos.
Tudo ótimo.
Parceiro perfeito, tempos mais que adequados, até o dia em que as estruturas são abaladas pela doida.
E que é a doida????
A doida é uma pessoa que já passou na vida da criatura “alvo’, recebeu um sonoro acabou, terminamos, mas definitivamente ela não aceita não como resposta.
Ela tem  “necessidades especiais” e usa de forma “diabólica” a doença, diagnosticada como bipolaridade aliada à falta de respeito e educação. 
A doida é aquela moça que fuça no celular, nas contas do cartão de crédito, liga várias vezes na madrugada, no meio da aula, durante a reunião, grita, chora, faz confusão e depois diz ... a culpa é sua...
O que era perfeito passa a sofrer ataques via torpedos, telefonemas “anônimos” para o escritório com recados absurdos e ameaças.
Como nada é para sempre e para sempre sempre acaba, como diz a canção da Cássia Eller, chega o dia em que a calma, a paciência e a tranqüilidade dão lugar ao cansei estou saindo da nossa história.
O que acontece na continuidade do embate entre a doida, a sã e o alvo é clichê, foram felizes para sempre.
A sã decide cuidar da vida, antes que a demência  assuma o controle, o risco de contaminação nestes casos é muito grande.
O alvo e a doida continuam construindo a insana felicidade do desrespeito, consolidados pela falta de dignidade e desamor.
As experiências proporcionam aprendizado para tomadas de decisão com melhor embasamento.
Ser, estar ou querer ser doida ou  sã esta no projeto de vida de cada um de nós, a diferença é saber como realmente queremos escrever nossa história de felicidade.