domingo, 30 de dezembro de 2012

Despedida


A música popular brasileira vai muito bem obrigada e ao que tudo indica ficará ainda melhor, alguém duvida.
A afirmação fica por conta dos talentos  que cantaram, emocionaram e surpreenderam os mais de dez milhões de telespectadores do The Voice Brasil e hoje,  passados pouco mais de quinze dias do último programa, sinto saudades.
Assisti a todos os programas, minha agenda de domingo foi totalmente modificada, o cinema, a corrida, o almoço, a navegada nas redes sociais, tudo mudou, a prioridade era tuitar e votar nos meus candidatos.
Experiência única que fez chorar, rir, dançar, testar o volume do home, enfim curtir, brincar e cantar com todos que passaram pelo palco do melhor programa da televisão aberta dos últimos cinco anos.
Importante mencionar que embora muitas das canções fossem “comuns” aos apaixonados por música, houve inovação nos arranjos e a interpretação dos competidores fez a diferença.
Foi necessário me despedir das tardes de domingo com o The Voice Brasil, mas felizmente o programa tem nova edição marcada para o segundo semestre de 2013.
Despedir-se é triste, principalmente quando sabemos que o reencontro pode não acontecer ou pode demorar muito para acontecer.
Nos versos da canção Dona Cila, Maria Gadú diz ... me mostre o caminho um jeito de estar sem você, o apego não quer ir embora...diacho ele tem que querer...
Em 22 de dezembro de 2008 me despedi da Dona Tulia, a mulher mais bonita, determinada, forte, valente, destemida e corajosa que eu conheci.
Embora houvesse várias pessoas na UTI naquela noite estávamos apenas nós, nosso amor incondicional, nossa lealdade, respeito e carinho, nossa essência e alicerce.
Com a exclusividade da noite, aproveitamos para rezar, conversar e trocar carinho.
Tempo para dizer  .. te amo loucamente ... não me deixa.... preciso de ti... o que vou fazer aqui sozinha... não vai embora...
Tempo para ela pedir água, eu dizer que o médico não permitia e ela afirmar ... nada disto guria ... quero beber água, me dá água .. não tem ninguém olhando...
Atitudes inadequadas aos olhos dos outros, excetuando-se aquelas que afetem a moral e a ética, foram liberadas pela Dona Tulia naquele exato momento.
Aceitar que outros determinem desejos, vontades, necessidade no mínimo é negar água a quem tem sede.
A última lição foi liberte-se, desobedeça, crie, recrie, faça e aconteça mesmo que os outros estejam “olhando”.
Dia 23 de dezembro menos de vinte e quatro horas depois das nossas últimas risadas e cochichos, a equipe médica me chama na sala de espera da UTI para informar que ela havia se despedido.
A canção da Maria Gadú ainda não havia sido escrita, estes versos chegaram depois ... de todo o amor que eu tenho, metade foi tu que me deu, salvando minh`alma da vida, sorrindo e fazendo o meu eu ... ó meu pai do céu, limpe tudo ai vai chegar a rainha, precisando dormir, quando ela chegar, tu me faça um favor dê um manto a ela, que ela me benze aonde eu for...
O som do dia 24 de dezembro tem sido da terra arranhando a madeira, o cheiro é o da chuva molhando a grama do Jardim da Paz e o gosto é do nada como se a terra tivesse parado de girar.
Despedidas não teriam sentido se não houvesse aprendizados.
Alguém disse certa feira, saudade foi feita para ser morta, nós nos encontramos nos meus sonhos, momentos em que contamos novidades, rimos e rezamos. 
Dona Tulia minha mãe querida, minha mestra em superação, inspiração de coragem e fé no amanhã, no daqui a pouco.
Estamos preparando a nossa despedida de 2012.
Atentos para que não falte lentilha, organização na casa, espumante gelado.
Estamos preocupados com a cor da roupa, da calcinha, dos acessórios.
Estamos providenciando a lista dos desejos, preparando o planejamento estratégico para as ações de 2013, afinal a empresa Maria S. A. deverá ser altamente rentável, os resultados deverão superar em Y% o ano anterior.
Voltando a paixão pela música, afirmo qu enão existe Você S. A. de sucesso sem alegria e ousadia.
Alegria para viver e ousadia para vencer.
O que acontece no caminho é reconhecer-se na generosidade, no respeito, na lealdade, no desejo, no amor pleno que devemos inspirar em todos os corações que se permitirem deixar ouvir.
Meu melhor abraço, que Papai do Céu nos abençoe e continue cuidando de todos nós.
Feliz reconhecimento, feliz reconhecer-se.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Esse cara sou eu


Quando crianças chegam à vida dos adultos, via de regra é motivo de atenção, carinho, beijo, abraço, cheiro no cangote, fotografia na sala, colinho e cafuné para nanar, um abraço bem apertado quando elas chegam a casa depois de um grande dia na escola.
Tem ainda a festa de aniversário com direito a balão, parabéns a você, mimo dos irmãos, do pai, da mãe, dos tios, padrinhos, primos,  enfim o amor corre solto quando existem crianças e felizes são aquelas que vivenciaram todos ou alguns destes momentos mágicos, certamente muitas delas serão adultos de sucesso.
Inveja branca a parte, nascer em uma família onde a maioria é “adulto misturado” tem uma ou outra vantagem.
Depois de um dia na escola, abrir a porta e encontrar primos, primas, irmã e tia, envolvidos em tarefas e preocupações que não incluem a chegada, determina caminhos, decisões, cortes e reinícios quase sempre inusitados, afinal sobreviver é preciso.
Uma família assim é praticamente a receita do bolo de nozes, no caso “noisis”, que poderíamos assistir em um dos programas do meu ídolo culinário Jamie Oliver, afinal o mago inglês embora não tenha medidas certas para seus pratos mágicos, ingredientes são colocados “a olho”, mas quando testamos o resultado é sempre maravilhoso.
Sem família amorosa, carinhosa e atenta, mas com outras tantas virtudes como a paixão pelo estar junto e ser solidário, temperos, gostos e cheiros moldaram e prepararam o caminho.
Na passagem do tempo, que para os músicos poderia ser considerado até passagem de som existe momentos impares.
Ficar no cantinho do sofá da sala assistindo aquele bando de adultos discutindo acaloradamente os problemas dos presentes e dos ausentes e principalmente ouvindo as músicas que embalavam os desejos e sonhos mais secretos de todos eles,  faz parte do melhor espaço das lembranças daquela casa enorme na cidade dos doces e das compotas, localizada na metade sul do Rio Grande.
Os temperos musicais vinham de todos os lugares, samba, tango, bolero, ieieie, rock, samba-canção e outros tantos ou na melhor tradução de rua, tudo junto e misturado.
A memória musical além de todas aquelas ausências permanece de forma quase latente, bastam dois ou três versos e cantar fica muito fácil.
Como diz aquela canção do Rei ... são coisas muito grandes para esquecer e a toda hora vão estar presentes você vai ver....
Incontáveis canções foram imortalizadas e sinceramente tenho dificuldades em mencionar minhas melhores cinqüenta.
Os noveleiros de plantão estão assistindo um belo casal se amassando, beijando, abraçando, correndo e tomando banho de mar, embalados pelo novo sucesso do Rei.
A canção fala de um homem carinhoso, generoso, apaixonado, amigo, sensível, educado, bem humorado, bom de cama enfim esse é o cara.
Assim como Jaime Olivier não acredito em medida certa para quase nada, embora desde sempre limites, respeito e hierarquia tenham sido o norte.
Certamente um homem com todos os temperos da canção do Rei existe e faz parte do sonho do universo feminino.
O feminino no caso trata de parceria não necessariamente uma mulher ou um homem, cada um no seu quadrado e preconceito é absurdo e perturbador.
A tradução sugere uma pessoa incrível com quem você pode partilhar  sonhos, dores, alegrias, conquistas, ansiedades, medos, risadas e até comida sem tempero e queimada.
A criatura pode sentar na beira do mar só para ver você dar voltas na onda, pode dormir de conchinha, levar café na cama, ligar  ou mandar torpedo no meio do dia falando sacanagem ou apenas dizendo que te ama.
Para esse cara você acorda no meio da noite, ele esta dormindo, quentinho, indefeso, literalmente entregue, você sorri e diz .... nossa como eu te amo, como você me faz feliz...
O Jaime esta correto ao afirmar que não existem receitas, porções ou tempos rígidos e absolutos para um menu ser degustado com prazer o suficiente que possa nos levar ao êxtase.
Relacionamentos, amores e sonhos são construídos um a um.
Estar refém do que já foi sugere reprise de filme ruim, somos únicos a cada experiência, portanto os homens não são todos mentirosos, falsos, traidores e cagões, felizmente.
Aquele jeito de olhar, de tocar, abraçar, beijar e fazer amor pode fazer toda a diferença quando fechamos os olhos e sonhamos com esse cara, materializar o futuro certamente faz acontecer, mas, por favor, não esqueça, figurinha repetida não completa o álbum.
Esta na letra da canção ...acordar no meio da noite para dizer que te ama.... Sugiro refletir sobre esta frase, isto pode fazer a diferença, afinal conheço  gente que continua casada por medo do novo, mulheres que se submetem pela conta bancária e o cagão que tem como escudo um celular e uma passagem área.
Valentes e destemidos, que todos caminhem na direção do seu cara.
E se você esta se questionando, como saber que encontrei,  elementar meu Caro Watson, degustação é palavra
Caso esteja demorando fiquem calmos e tenham determinação, coragem e fé, Santo Antonio pode estar falhando comigo, mas confiem vocês serão abençoados e felizes.

domingo, 18 de novembro de 2012

O Teórico.


Um dos primeiros experimentos na escola depois de aprender a ler, escrever, fazer “continhas” e exibir aquele estojo maravilhoso cheio de canetinhas multicoloridas é colocar grão de feijão no copo, com água e algodão, em poucos dias os primeiros brotos começam a nascer.
Parece incrível, mas é pura adrenalina e emoção chegar à escola, correr até a sala de ciências e ficar olhando para o copo, sempre quis passar a noite olhando e esperando para ver a teoria se tornar prática.
Os anos passam tomamos conhecimento de novas e fantásticas doutrinas, algumas delas passamos a testar vez ou outra.
Uma teoria que acabamos experimentando é a teoria dos bêbados, se você bebeu, deitou na cama e ela girou, basta  colocar um dos pés no chão, neste caso somos testemunhas de um verdadeiro milagre.
Evidente que no caminho encontramos teorias mais importantes como a da relatividade, tempo e espaço são relativos e estão profundamente entrelaçados.
Existe também a teoria da libertação, da evolução, da administração e várias outras.
A campeã é a teoria da conspiração, passada rápida pelo Dr. Google mostra que existem mais de cinqüenta e todas são maravilhosas.
Na carona dos princípios do Albert, teorias estão diretamente relacionadas a teóricos, ou seja, “seres contemplativos” que no caso é muito mais que entrelaçamentos, simples assim.
Quantos de nós nos relacionamos com teóricos, pessoas que   conhecem, discutem e justificam posições a luz do conhecimento científico, como por exemplo, a migração das borboletas monarcas.
Outra classificação destes seres especulativos pode ser encontrada nos teoristas, pessoas que conhecem os princípios de uma ciência, mas que não a praticam.
Em ambos os casos, teóricos e teoristas são verdadeiramente o pior dos pesadelos, tão ruins quanto filmes de suspense seriados como pânico, sexta-feira 13, atividade paranormal e outros tantos.
A que se considerar que estamos tratando dos exageros, dos falsos, em suma dos sem conteúdo pleno e dos sem atitude efetiva.
Enquanto o teórico discorre com veemência sobre a importância da poeira cósmica tendo como base a leitura do post do facebook, o teorista sugere mudanças na vida dos amigos sem nunca ter pagado aluguel ou a cota do condomínio.
Diálogo e tomada de posição com teóricos e teoristas é apenas e tão somente perda de tempo, afinal o desgelo é fato e o dia termina quando o sol se põe.
Uma das melhores traduções que ouvi sobre alguém foi ele vive em constante sedução pela vida, gostei tanto que adotei como slogan.
Impacta saber que existem pessoas em idade adulta que ainda moram na casa dos pais, que dependem do aval de alguém para tomar decisões ou que ainda esteja esperando o príncipe encantado.
Fazer teorias sobre a melhor forma de conduzir a vida dos amigos é fácil, difícil é ter atitude e fazer acontecer.
Discutir sobre as quantidades de bites necessárias para logar um sistema é fácil, difícil é reconhecer o tanto de amor, carinho e generosidade que existe num único abraço.
No final teórico e teorista são os tristes, desamparados e sem emoção.
Acredito que sequer sejam capazes de gargalhar e chorar diante da mais inusitada das cenas.
Se teoria é contemplação, exame e especulação talvez estas criaturas devam saber que a vida acontece fora do laboratório.
Ficar protegido no quartinho do nascimento não nos torna completos e complementares, portanto faz carão, coloca aquela roupa favorita, o melhor cheiro e se joga porque bom mesmo é bater de frente, rir e chorar, tomar vento na cara e chuva no corpo.
Viver em constante sedução pela vida é mais que uma viagem com boas paisagens e serviço de quarto cinco estrelas é fazer acontecer mesmo que vez ou outra abrir a porta e sair do conforto da casinha da mamãe possa significar um eca pisei no barro.
Agora vamos combinar se até as borboletas monarcas migram porque você ainda não fez as malas, ah já sei esta chovendo e a sua rua não têm calçamento.

domingo, 11 de novembro de 2012

Olhar amorosamente


O crescimento do mercado de pets shops é um absurdo considerando que o Brasil continua sendo um país de miseráveis.
É inegável que hoje temos mais comida na mesa, eletroeletrônicos de melhor qualidade e viajamos com maior freqüência, mas estamos longe de sermos  muito mais do miseráveis.
Afirmar que somos miseráveis gera desconforto, vamos reconsiderar,  talvez miseráveis em ascensão esteja suficientemente próximo as nossas “áreas de conforto”, afinal olhar o mundo a partir do primeiro andar é melhor do que estar no térreo.
Dar aula de economia ou questionar erros, acertos e fazer projeções sobre números definitivamente não é a minha melhor qualidade,  competência não falta para um longo e arrazoado texto apresentando considerações de parte a parte.
Poderia começar pelas teorias da mais valia, chegando as decisões de livre mercado, passando por compras por indução, efeito recompra pela internet, cruzando pela sustentabilidade e finalizando na teoria da libertação, a comercialização da teve a cabo esta passando por crença religiosa, questões demasiadamente áridas para as propostas do blog.
O fato é que estas são questões menores, olhar a vida amorosamente é um ato de amor, mesmo que ela seja absurdamente miserável.
Se de um lado as vendas de produtos de pets shops estão crescendo assustadoramente, no outro lado existem cãezinhos e gatinhos usando camas mais macias, comidinhas melhor elaboradas, casacos, lenços, coleiras, saias e  jóias mais sofisticadas.
Tudo isto sem esquecer carrinhos de bebês sendo usados para transportar os bichanos.
A luz da economia o alto volume de vendas nas pets seria uma equação básica da oferta e  procura, simples assim.
O que deixamos de considerar é o agente, aquele que faz as aquisições e o mais importante a razão, porque alguém gasta tanto em uma pet shop.
Algumas pessoas consomem mais de R$ 120,00 por mês,  valor do ticket médio por estabelecimento, obtido a partir de pesquisa realizada em algumas lojas em diferentes regiões de Porto Alegre.
Evidente que existem exceções, gastar trezentos reais ou mais não é incomum, isto sem considerar mudança da  estação e a renovação do enxoval, novos lençóis e cobertores, correntes, coleiras com assinatura de griffes.
Quando a família tem filhos o bichano passa a ser o mano, usa camiseta do time, senta no sofá nos jogos da final, em fim a zorra é total.
Pessoalmente confesso que relações com os meus animais de estimação e cães sempre foram os meus favoritos, nunca excederam ao correr junto pelas ruas da cidade, tomar banho de mar, deixar pular na cama para fazer uma “festinha”, colocar a cabeça no colo e aguardar a vez para comer um petisco do churrasco.
Conheço casos em que o bichinho tem lugar na mesa, tem prato igual e as pessoas da casa não devem ter certas “liberdades”, eles podem ficar nervosos.
Mas afinal porque as relações chegaram a este ponto, porque os animais estão ocupando tanto espaço e em alguns casos  se tornaram os tiranos de alguns membros da família.
A grosso modo se pode afirmar que fácil mesmo é transferir afeto, difícil é transferir medo, derrota e dor.
Quando alguém se entrega em amor, atitudes e presentes a um bichano, em condições consideradas exacerbadas, exatamente o que ela esta fazendo, ou melhor, o que ela esta tentando dizer?
Acredito que ela esteja retribuindo um olhar amoroso que somente aquele cachorro ou aquele gato são capazes de ofertar.
Olhar amorosamente supera toda e qualquer capacidade de entendimento do mercado ou da economia, é apenas e tão somente inexplicável.
No filme Sempre ao seu lado todos choramos e nos divertimos com o cãozinho Hachi, mas nada é mais forte do que os olhares trocados entre ele e o dono, interpretado por Richard Gere.
Cumplicidade, respeito, amizade, carinho, dignidade, alegria, felicidade e um eu sei o que você esta sentindo que somente os nossos bichos são capazes de saber, sensações que tiram o chão e nos devolvem a vida.
Gastar os tubos para materializar gratidão e amor, talvez não seja a melhor das alternativas, mas liberdade também pode significar eu amo você.
O fato é que nem mesmo os nossos maiores amores são ou foram capazes de traduzir aquele olhar que vigia nossos passos, vela nosso sono e óbvio baba a nossa cara na hora de dizer....bom dia vamos correr, preciso me exercitar...
Talvez a individualização não seja o norte para gastanças em pet shop.
Talvez os bichanos possam ser apenas sinônimos de alegria e felicidade, porque olhar amorosamente deveria ser nossa melhor forma de ver a vida sempre.
Das frases atribuídas ao filme Sempre ao seu lado, sugiro esta como reflexão ... se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu, porque estar como você é um pedaço dele...
Que as Pedritas, Megas, Argus, Krueis, Zeus e os Marvins estejam atentos e aguardando os nossos reencontros, até lá transferir afeto esta permitido, olhar a vida amorosamente é a minha sugestão.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Chegadas e Partidas


 Existem poucos lugares tão cheios de emoções quanto os aeroportos.
Gente chegando e partindo a todo instante.
Beijos, abraços, lágrimas de alegria e felicidade.
Pessoas desesperadas porque seus amores estão partindo.
Pais, mães, namorados, esposas, filhos enfim,  não existe um único ser humano com suas “faculdades afetivas” disponibilizadas para emoção, que não seja tocado em chegas e partidas.
Todos nós temos uma ou mais histórias que envolvem um abraço apertado, um longo beijo, um sorriso e uma dor que aperta o peito de tal forma que morremos, mas quando aquela pessoa especial atravessa o portão do desembarque, pronto, lá vem à cura, ressuscitamos
Evidente que aeroporto é apenas referência, chegadas e partidas acontecem a todo instante e queiramos ou não, mudam vidas, desconstroem pessoas, relacionamentos e obviamente também são fontes de muito prazer, alegria e felicidade, afinal nada é definitivo nem mesmo a tristeza da partida.
Apresentado por Astrid Fontenelle, o programa Chegadas e Partidas, foi premiado em 2011, pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, o programa mostra além de idas e vindas histórias amor e belas lições de desapego, vá e seja feliz.
Astrid esta doente, lutando para não partir e deixar o filho Gabriel que tem apenas quatro anos e foi adotado.
Em entrevista a Folha Astrid afirmou: "Seria uma sacanagem eu ficar comprometida ou morrer. Deus não pode fazer isso com ele. Tenho que ficar boa pelo meu filho."
Ficar e lutar, mover céus e terras para fazer valer o tanto de amor, determinação e coragem que existe em todos nós é acima de tudo comprometimento com o futuro, com a vida que desejamos viver.
Diuturnamente estamos chegando ao trabalho novo, partindo de um relacionamento mala, encontrando e nos despedindo de amigos que fazem a diferença e sem os quais nossas vidas teriam sentido menor.
Associar chegadas e partidas a imagens de construção e desconstrução, traduz a capacidade que cada um de nós possui de superar e recomeçar.
Necessariamente ir e vir não significa dor e tristeza, chegadas e partidas podem sugerir amadurecimento.
Há que se ter claro o fato de que aquele momento não voltará, não haverá segunda chance.
Não beijou, não abraçou, segurou o choro, engoliu a frase, tremeu, fugiu, não compareceu, lamento informar, mas você perdeu.
Perdeu a maravilhosa oportunidade de viver e experimentar o melhor que a vida pode nos proporcionar, a fantástica sensação de existir plenamente ou por algum momento você considerou a possibilidade de não sofrer ou chorar  porque tem em mãos a passagem para a próxima ponte aérea.
A Preta Gil disse outro dia no The Voice Brasil ... sou babado, confusão e gritaria...
Minha leitura para a afirmação da Preta é ... não regule a “mixaria” se jogue e viva...
Despeça-se, abrace, beije e chore amanhã aquela pessoa incrível poderá não estar mais no Brasil, na Europa ou no planeta,  sejamos babado, confusão e gritaria, estas são algumas das melhores formas de nos sentirmos vivos e felizes.
E ai o que você decide, vai regular a mixaria ou vai partir para o abraço???

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Força Ronaldo.


Existem muitas vantagens em ser famoso, além dos fatores financeiros.
Ao famoso cabe o exclusivo “dever” de engordar o bolso dos outros, seja através da foto no site de fofocas, da cruzada de pernas que mostrou a calcinha ou através do vídeo que divulga a fuga da concentração, enfim a lista é grande.
Via de regra o famoso tem o santo dever de ser apenas santo, nada mais, nada menos.
Dentro do programa Fantástico, veiculado pela rede Globo nas noites de domingo, temos assistido ao quadro Medida Certa, mostrando uma série de reportagens sobre a dieta do senhor Ronaldo Luís Nazário de Lima, conhecido mundialmente como Ronaldo – O Fenômeno.
A referência do programa, local e horário foi necessária porque meus leitores internacionais estão aumentados significativamente.
Acredito que este seja o meu preço da fama, embora possa significar vaidade e orgulho, esta não é a intenção, por vezes algumas coisas não são exatamente o que aparentam ser.
Ser famosa é estar exposta ao julgamento público, via de regra não chega  ser um calvário, afinal o que seria dos salões de beleza não fossem as Caras e Contigos.
Desde o início do programa, algumas pessoas tem bombardeado a participação do Ronaldo no Medida Certa.
As justificativas para o uso de artilharia tão “pesada”  passam pelos patrocinadores do programa,  que investiram na participação do Fenômeno, no fato de que ele não precisa de professores, médicos e assistentes que em rede nacional orientam o jogador a comer fibras, fazer exercícios físicos e sempre tomar café da manhã.
Os críticos acusam Ronaldo de egocêntrico, exibicionista, midiático e algumas coisas bem feias.
Por conta dos contratos com patrocinadores são ajustadas presenças em eventos, aparições em publicações  e ações que divulguem as marcas, além de atividades nas empresas afins, ou seja, estar na mídia, na casa de caras, na chamada do Fantástico ou no Medida Certa Ronaldo Fenômeno que o GNT apresenta durante 30 minutos as terças-feiras.
Resumo da ópera, dinheiro no caixa.
Se houvesse ranking que relacionasse os atletas brasileiros mais ricos, certamente Ronaldo estaria no topo da lista.
As criticas são tão severas e o desconforto é tamanho que nas redes sociais criaram posts relacionando o cachê dele com outros valores, pessoas e investimentos.
Quando Ayrton Senna morreu, dia primeiro de maio de 1994, segundo Galvão Bueno, Ayrton havia afirmado que o carro não estava bom, mas que ele iria correr mesmo assim.
A frase sujeita a correções teria sido mais ou menos esta... é primeiro de maio, dia do trabalhador, os brasileiros estão diante da televisão aguardando a corrida, eu vou correr...
A diferença entre ser vencedor e inspirador e ser mais um, esta exatamente no fato de que acima de tudo é necessário superar-se.
Pessoalmente desde 1994 assisti a cinco ou seis corridas de fórmula 1, nunca houve ou haverá piloto como Ayrton Senna do Brasil.
Sofrer física, emocional e psicologicamente as dores que o Fenômeno sofreu definitivamente é para poucos, mas muito poucos mesmo.
Os campeonatos europeus nunca mais foram os mesmo depois dos embates entre Ronaldo, Roberto Carlos,  Beckham, Figo e Zidane, os Galácticos contra o Barcelona de Samuel Eto´o, Thierry  Henry e Ronaldinho Gaúcho.
Um atleta rejeitado pelos renomados Flamengo, Botafogo e São Paulo que construiu a carreira no Cruzeiro e foi o melhor do mundo em duas edições.
A questão base para a participação do milionário Ronaldo no programa é superação.
Você decide o seu destino, suas vitórias, conquista seus desejos, vai em frente, você supera.
Há que se estar desprovido de qualquer vaidade para tirar a roupa diante de milhões de pessoas, expor o barrigão, o peito solto, os  braços moles e os coxões grudados pela gordura.
O Fenômeno corre, sua, rir e satirizar sua “dor estética” e vez ou outra profere sua frase mágica ... eu nunca desisto....
Assisti Ronaldo cair duas vezes e naquele momento chorei com ele.
Não era justo um garoto inexperiente  e inocente, que na coletiva de sua chega a Europa afirmava ... eu passei fome ... deixar de jogar fenomenalmente porque o joelho não correspondeu as “decisões”  do cérebro .. dribla e faz, este gol é para ficar na história.
Superação, inspiração e nunca desistir.
O programa tem acrescentado informações relevantes aos sedentários, gordinhos, gorduchos e obesos de plantão.
Um atleta de alto impacto cujos exames médicos denunciam tendência a diabetes, problemas de tireóide,  colesterol alto, taxas e massas com números que sinalizam cuidados especiais sendo divulgado em rede nacional, há que se ter coragem para tamanha exposição.
O que ficará ao final de mais esta etapa na vida do Ronaldo além dos quilos a menos, das mudanças de hábitos alimentares, dos novos contratos, da renovação de patrocínio e muito mais dinheiro no banco, acredito que  uma nova e singular lição de superação, disto ele é feito.
As imagens que consagraram as comemorações dos gols do Ronaldo, por longo tempo foram uma corrida  com os braços abertos e na seqüência um salto e um soco no ar.
Lendo os textos e ouvindo as pessoas que criticam a participação dele no programa um único pensamento me ocorre, vocês ainda não leram a mensagem, não leram o código, não compreenderam o objetivo, ele é inspiração, superação e coragem.
Todos estes e muitos outros bons sentimentos estão na nossa essência.
Nascemos para vencer e superar.
A questão é quantos de nós queremos “pagar para ver”.
Sair da área de conforto, mostrar o barrigão, pagar o próprio aluguel, fazer aquele exame médico, viajar sem destino, mudar de emprego, ir à luta e jogar o jogo, estas são algumas atitudes que podem fazer a diferença, podem nos tornar inspiração, superação e coragem diante de nós mesmos e depois  diante da “assistência”.
E ai, o que você faria se nada fosse impossível???
Sugiro que você vá e ganhe o jogo, que faça a diferença, que inspire e se supere.
Lembra do Ronaldo comemorando o gol, tente fazer o mesmo, posso escolher a trilha musical para a cena, confie em mim, ela é linda.
Os versos dizem assim ... abra suas asas, solte suas feras, caia na gandaia, entre neste festa...
Ficaram surpresos, sinto muito,  mas talvez vocês não tenham sido avisados, a vida é sim uma grande festa, portanto.
Força Patrícia!!
Força Dione!!!
Força Luciana!!!.
Força Paulo!!!
Força Ronaldo!!!
Força porque todos nós fomos feitos para inspirar.
O contrário disto é ressentimento e medo e vamos combinar isto no mínimo é beco sem saída e buraco sem fundo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Expertises


Viajar para Curitiba dependendo do horário é puro exercício de sorte, apesar de o aeroporto Afonso Pena ser aconchegante, acolhedor, além de organizado.
Lamento se decepciono, mas subjetividade diz muito de todos nós.
A questão é a seguinte: Haverá teto e a aeronave aterrissará?
Todas as vezes que viajo para Curitiba, organizo minha chegada a partir do final da manhã.
Aeroporto fechado, voltar para Porto Alegre, ir a São Paulo, descer em Florianópolis aguardar conexão e tentar finalmente chegar à Curitiba é o pior caminho para visitar clientes e fechar negócios.
Gestores reconhecem, doutrinas militares colaboraram para a formação dos administrados.
Conceitos de estratégia, hierarquia, planejamento, táticas, gestão por objetivo, planos de metas,  são oriundos das práticas militares, sem contar com a bibliografia,  livros como a arte da guerra, marketing de guerrilha e vários outros.
Empresas de segurança têm como alicerce conhecimentos militares e foram constituídas em sua grande maioria a partir das competências destes profissionais.
Ter mais de quarenta permite navegar no melhor do universo das experiências, sejam elas pessoais, afetivas ou profissionais.
Embora lides humanas desde sempre foram norte, a aproximação com máquinas e um “bichinho” intangível denominado software sinalizou uma excelente oportunidade, sedução pouca é bobagem.
A estratégia era visitar empresas de segurança, clientes potenciais do software, demonstrar o sistema, encantar a todos e óbvio assinar o contrato.
Importante considerar que no caso estratégia deve ser traduzida por cenário ideal.
Contrariando probabilidades, primeiras horas da manhã, inverno embarque Varig, Porto Alegre /Curitiba, reunião marcada para as 10 horas, tudo acontece dentro do previsto.
Na chegada à empresa a tensão é grande.
A sala da apresentação esta pronta, mais de dez homens  estão reunidos, sentados em torno da grande mesa, todas as bases estavam ali para conhecer o sistema de gerenciamento das operações, gerentes, diretores, técnicos, assessores, todos atentos e ávidos por respostas e soluções.
Importante mencionar que naquela época nas empresas de segurança não havia mulheres no “alto comando”, qualquer semelhança com o exército não seria mera coincidência.
Em uma das extremidades da mesa estavam apenas eu, a pasta com o meu notebook e uma tremedeira maluca.
Conhecimentos não faltavam, mas discutir com uma platéia como aquela realmente soava como estréia.
Silencio total, começo a abrir lentamente o fecho da pasta, necessitava de um elo, alguma frase ou palavra que propiciasse conexão para desenvolver o trabalho.
Abro totalmente a pasta, retiro o note, coloco sobre a mesa e por décimos de segundos observo meus interlocutores, respiro fundo e pergunto: Pensaram que o meu notebook era cor de rosa????
Todos, absolutamente todos começaram a rir, a ligação estava feita.
Cabos conectados, máquina ligada e ao primeiro som do equipamento todos retornam a seriedade do momento anterior, novamente por milésimos de segundo observo a platéia e afirmo.
Gostaria de agradecer a oportunidade e fazer uma confissão, este notebook é do meu chefe, o meu é cor de rosa e esta no conserto, já podemos começar?
Novamente risos e brincadeiras, a apresentação começa e ficamos por mais de três horas discutindo os benefícios do sistema, as necessidades, dificuldades e as eventuais customizações que deveriam ser realizadas.
Alguns processos de seleção e recrutamento utilizam dinâmicas, técnicas e conceitos absolutamente “diferenciados”, bons profissionais são dispensados sem que tenham chance de demonstrar que podem ser solução.
Saber lidar com o inusitado, esta além dos jogos, dos egos inflados, dos textos de próprio punho ou do uso de ternos alinhados.
Expertises, assim como outros tantos “bordões” é a bola da vez nos ambientes corporativos.
Mas afinal o que é ter expertises, seria ser esperto, ser competente, se atilado?
Subjetividade é rótulo pessoal e intransferível, assim como estratégia desde sempre é cria militar, aventurar-se definir expertise como a sua capacidade de dar a solução não será de todo pecado mortal.
Alguém com boa dose de curiosidade poderiam questionar, onde começa, do que é feita, como se constrói esta “ferramenta de gestão” com o codinome expertise.
Sugiro que a investigação comece no brilho do seu olhar, na dopamina e na endorfina que você se sente inundar diante do que realmente faz a diferença na sua vida.
Reconhecer e estar inundado desses “sintomas” pode determinar que sejamos a solução logo somos expertises, somos paixão e somos tesão pelo nosso trabalho, pelas nossas tarefas e, sobretudo pelo futuro que podemos nos proporcionar, mas atenção esta relação só tem valor se trafegar em mão dupla.
O contrário disto é notebook cinza.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O amor que nos une.



Duas artérias e uma veia nos unem a outro ser humano.
Esta “relação” dura em média de trinta e oito a quarenta semanas.
Findo prazo, estamos por conta própria.
Vamos chorar para pedir comida, chorar para reclamar da fralda molhada, vamos sorrir para acalmar a platéia e vamos dormir por longas e intermináveis noites.
Na fase seguinte começamos a nos relacionar com “os outros” de mesmo tamanho.
Vamos para a creche, para a escola, para o curso, para a universidade.
Vamos ganhar o nosso sustento.
O tempo passa, começamos a ter atitudes diferentes diante de situações inusitadas, coisas simples, mas que marcam para sempre a nossa existência
O som daquela banda, os versos daquele poeta, os livros daquele autor, tudo que nos rodeia passa a fazer parte da nossa forma única e exclusiva de ver a vida, nos conectamos ao fantástico universo das escolhas.
Começamos a nos identificar mais com esta do que com aquela pessoa, damos mais importância e espaço às conversas com aquela amiga, enfim passamos a nos unir, a criar elos.
Não raras são às vezes em que alguns perfumes,  lugares, sabores e toques começam a nos reportar a momentos de inusitado prazer e satisfação.
O fato é que desde o momento em que a ligação entre duas artérias e uma veia foi formada, independente das situações mais adversas, a conexão e o conectado se sentiram amando e amado, fez-se o amor.
As nossas escolhas são elos que nos ligam as boas sensações que cada “ambiente” nos permite navegar.
E porque o amor nos une, aqui e agora valem apenas as melhores escolhas,
Fechar os olhos e lembrar-se do abraço gostoso que você recebeu daquela pessoa incrível, tremer de emoção e sentir o cheiro bom da chegada,  traduz amor que não termina, ou seja, amor que permanece.
Saber que sua melhor amiga, mesmo distante sonha teus sonhos, reza teu sucesso e embora  as conversas estejam restritas a datas especiais, o amor e a essência desta ligação são inequívocos, ele existe, permanece e alimenta-se em si.
Ver seu filho partindo para novas descobertas, o coração dispara e  os olhos alagam, mas subitamente vêm à certeza, as juras de amor foram verdadeiras, a conexão é amando e amado.
O amor que nos une permite sonhar sonho bom, acordar nas nuvens, dançar ouvindo apenas o som dos nossos corações.
Felizmente os encontros não terminam neles mesmos, eles transcendem e poderiam ser explicados como energia pura.
Na canção Certas Coisas os versos  ...  eu te amo calado como quem houve uma sinfonia de silêncios e de luz ...  não deixam dúvidas, o amor que nos une é capaz de conexões que aos olhos dos outros pode parecer utopia.
O fato é que mesmo que estejamos distantes, tomados por um turbilhão de não se sabe o que, em algum momento, de alguma forma a conexão se estabelece, a união é plena e embora este momento mágico seja raro, amando e amada podem ser plenos.
Acredito, acredite você também, sabores, perfumes, toques e imagens que nos reportem as nossas melhores lembranças, proporcionam paz, tranqüilidade, alegria e, sem qualquer  esforço podemos  ter garantida uma boa dose de prazer.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

I want you


Um homem branco, forte, aparentando ter mais de quarenta anos, vestindo túnica azul, camisa e cartola branca e uma gravata borboleta vermelha, esta foi à imagem que os americanos usaram para convocar os jovens para a Guerra do Vietnã.
A imagem é forte e intimidadora.
O personagem, um desenho no melhor estilo história em quadrinhos aponta para seu observador e “diz” ... I want you for U. S. Army  nearest recruiting station … eu quero você para EUA estação de recrutamento do Exército mais próxima .
Esta foi mais uma guerra absurda que matou e mutilou milhares de pessoas.
Existem fotos tão impactantes dos ataques que sugiro, não busquem no Dr. Google, várias delas podem causar emoções muito fortes.
Dezenas de filmes contaram histórias sobre a Guerra do Vietnã, belas canções foram cantadas em protesto pela barbárie. Inegavelmente foi um período de muita criação, não apenas de armas e equipamentos para abastecer a guerra fria.
Lembro criança, meus irmãos e primos reunidos na grande sala da nossa casa ouvindo música e os versos da  canção diziam ... era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones...
I want you.
Eu quero você.
Uma frase destas proferida pela pessoa certa, no momento certo pode mudar vidas.
Nos dois últimos domingos temos assistido The Voice Brasil.
Reunidos Lulu Santos, Carlinhos Brown, Daniel e Cláudia Leite têm como missão descobrir a nova voz do Brasil.
As audições têm dado sinais de que esta não será tarefa fácil.
O programa é sensacional, como tudo que mexe com sonho, paixão, amor, coragem, alegria, medo, superação, tesão, enfim emoção da melhor qualidade.
Na sala anexa, tem pai, mãe, namorada, marido, esposa, filho, filha, todos conectados àquele ser solitário, que no palco mostra o melhor que sabe fazer, abrir a boca, cantar e encantar seu redentor.
Poltronas viradas, Lulu, Carlinhos, Daniel e Cláudia não podem ver o candidato, apenas ouvi-lo.
Isto é uma guerra e o eu quero você ao invés de ser assassinato passa a ser sonho realizado, vida nova, sucesso, reconhecimento profissional e óbvio dinheiro no conta.
Sugiro que façamos um exercício, vamos mudar a identificação das quatro poltronas, Lulu será felicidade, Carlinhos sucesso, Daniel reconhecimento profissional e Cláudia dinheiro na conta.
Não raras são às vezes em que “congelamos” diante da possibilidade de escolher o melhor.
Ora porque não estamos prontos, ora porque não merecemos e a pior de todas porque é muito difícil.
Uma guerra insana é capaz de matar, mutilar, fazer sofrer e chorar.
Decidir se sentir merecedor do melhor é de seu direito e é óbvio de sua exclusiva responsabilidade, terceirizações estão proibidas.
Existem outras tantas poltronas olhando nos seus olhos todos os dias e dizendo ... eu quero você...
Decidir é ter livre arbítrio e esta é a parte boa do jogo e se você ainda não percebeu,  tem uma guerra violentíssima lá fora.
Tem gente de olho no seu trabalho e no seu amor.
Tem bandido de olho na sua carteira, no seu carro, na sua casa.
I want you.
O que você quer experimentar hoje?
Eu quero o Lulu Santos, versão felicidade e você?

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Porque os monstros se criam.


Não raras são às vezes em que assistimos noticiários informando que uma escola foi invadida, “uma pessoa” atirou, matou e feriu crianças, professores e funcionários,
Telejornais contam que aqui, ali ou naquele tal Estado alguém teve seu corpo incendiado por “algumas pessoas”. Elas atearam  fogo em um ser humano que dormia sob a marquise do prédio da avenida x.
Jornais estampam fotos de uma mulher que foi agredida e a perícia não soube precisar quantas foram as estocadas, quantos foram os golpes que determinaram a morte daquela pessoa.
Trabalhadores saem para buscar sustento, são agredidos, assaltados, subjugados, alguns não sobrevive à dor física e morrem outros sucumbem ao ataque moral e psicológico.
Pessoas são contratadas, apaixonam-se literalmente pelos seus afazeres, mas não sobrevivem ao “ambiente organizacional”.
Esqueçamos as avaliações, os ensinamentos e as regras sugeridas por Freud, Jung, Lacan e tantos outros.
Pensemos apenas em amor, em carinho, em sim, em não, em pode, não pode e principalmente no vá em frente porque se você quiser voltar estarei aqui, confie em mim, confie em você.
Os processos de educação e construção de um Ser Humano passam necessariamente pelo sim e pelo não, independentemente da situação social ou econômica e isto é fato.
Desde criança nos contam histórias de fadas, de reis e rainhas, que são atacados por monstros,, bruxas e exércitos. Invariavelmente as fadas operam milagres grandiosos, os bons reis e as boas rainhas sempre vencem a tudo e a todos.
Crescemos, começamos a escolher nossos livros, nossos filmes e nos deparamos com Drácula, Frankenstein, A Múmia e vários outros monstros que sempre são vencidos pelos mocinhos e mocinhas das nossas histórias adolescentes.
Agora somos adultos e começamos a nos deparar com notícias impactantes.
A escola foi invadida, o mendigo incendiado, a mulher assassinada, o trabalhador assaltado, a paixão pelo trabalho passou a ser raiva, ressentimento e dor.
Cada cultura cria seus próprios monstros.
Criar monstros significa deixar nascer, fazer crescer e para que isto aconteça, será necessário alimentá-los.
Importante lembra que quem faz nascer, crescer e alimenta monstro possui o exclusivo poder de gerar sucessores.
O alimento nosso de cada dia pode ser amor e carinho ou medo e ódio.
Voltando aos pais da psicologia encontramos algumas definições, reflexões muito importantes, dentre elas de que somos o resultado do meio, somos a soma de nossas experiências, somos a herança genética que definiu nossas emoções, somos, somos, somos...
Podemos migrar para justificativas religiosas, podemos dizer absolutamente tudo sobre tudo que nos leve a compreender porque os monstros se criam.
A minha teoria é a de que em algum momento eles não receberam um sonoro não.
Alguma coisa meio assim... não você não pode, não você não deve, não faça porque não é correto...
E quando o não “justificado” não resolveu dizer não porque eu não quero surte efeito.
As doenças nossas de cada dia tem raiz em algum momento de abandono, de medo, de tristeza e ressentimento.
Buscar respostas no alto conhecimento é a fração ideal, mas quando condições adversas não permitem, livre-se de suas dores, crie coragem e vá em frente, a melhor resposta, o melhor caminho esta no amor que existe no seu coração, afinal dar a luz ao filhinho do Frankenstein será horrível, a foto dele nunca será divulgada na sua página do facebook.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Estátuas de Sal


Conta a Bíblia que Deus inconformado com ambiente pecaminoso de Sodoma e Gomorra resolveu fazer chover fogo para destruir ambas as cidades.
Com piedade de um homem chamado Ló, Deus resolveu salvá-lo juntamente com sua família.
A única recomendação foi ... fujam sem olhar para trás, caso em contrário serão transformados em estátuas de sal.
A esposa de Ló não resistiu e por distração ou curiosidade, olhou para trás e virou estátua de sal.
E nós, passados mais de dois mil anos, quantas vezes viramos estátua de sal. Quantas vezes nos últimos anos, nos últimos meses, nas últimas semanas, enfim nas últimas horas?
Curiosidade e distração não nos transformam reféns de episódios nefastos, mas apego ao passado e rejeição ao novo podem trazer insônia, tristeza, infelicidade, dor e doenças.
Quem de nós não tem um amigo ou amiga,  que não consegue parar de falar naquele ex.
Ex-namorado, ex-chefe, ex-amigo, ex-marido, ex-projeto, ex-salário, ex, ex, ex.
Esta pessoa pela qual nutrimos carinho, atenção e amizade, é sem sombra de dúvidas uma estátua de sal.
Há que se considerar que este “personagem” também esta presente em nossa história pessoal.
É verdade que vez ou outra ser a apegada, a chata, a triste a inconsciente, na “medida certa”  esta ok, vamos sobreviver e o ecossistema agradece.
A questão é não parar de referir a cada nova situação, mesmo que ela esteja distantes milhares de quilômetros, que aquele fato é igual a experiência x, y, z.
Todos os homens são pegadores, todas as mulheres são traídas ou  todos os homens são burros, todas mulheres aproveitadoras.
Experiências passadas passaram, já aconteceram.
O que existe de real e de concreto é que sabemos como elas são e isto nos torna melhor.
A cada nova vivência sempre seremos mais experientes e, por conseguinte ainda mais atilados ao novo.
Aquele telefonema ou email que você não recebeu daquela pessoa incrível, pode ser explicado por um ...  putz não deu tempo, esqueci, perdi o número, o endereço, mas isto deve ter prazo de validade.
Ficar preso ao ontem é não querer viver, provar e testar novas e  enriquecedoras experiências que nos rodeiam todos os dias.
Decidir transformar-se em estátua de sal pode nos dar uma única garantia, a estagnação.
O telefone não tocou o email não chegou o casaco não voltou, não crie problemas apenas permaneça com as melhores imagens daquilo que realmente foi bom e prazeroso, diferentemente disto você estará começando a salgar seus pés, suas pernas, seu corpo, seus braços e finalmente seu cérebro e o seu coração. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O que faz você feliz?


As definições de felicidade tratadas à luz das religiões são diversas e adversas.
Felicidade é a capacidade de vencer problemas.
Felicidade é dar sem nunca pedir nada em troca
Felicidade é o encontro com a plena realização.
Felicidade depende das qualidades próprias do individuo e não do estado material em que se acha.
É evidente e inquestionável o fato de que felicidade é um momento, um ato, uma lembrança, um sorriso, uma imagem, enfim alguma coisa, lugar ou pessoa que tocam ou tocaram nossos corações.
Seria demasiadamente triste, enfadonho e até deprimente sermos e estarmos felizes o tempo todo.
Termos ao nosso lado somente as pessoas que amamos e que nos amam cem por cento do tempo, seria um caos.
Neste “universo perfeito” a vida seria sem brigas, sem discórdias, sem bate boca, sem cala a boca, sem não porque não quero ou ainda não me enche o saco, vai-te catar, sai daqui sua isto, seu aquilo.
Em uma vida de total felicidade nossos colegas de trabalho seriam pessoas fantásticas, maravilhosas, acima de qualquer suspeita, nunca haveria qualquer fofoca ou disque me disque.
Nem tanto ao céu, nem tanto a terra.
Discussões foram feitas para ajustes e encontro de idéias, definições e decisões.
Pessoas são sinônimos de suas realidade e isto é o melhor da vida, portanto vez ou outra discordar, faz parte do jogo.
Temos necessidades, desejos e sonhos diferentes.
O que faz você feliz?
Girar a chave e abrir a porta da casa nova.
Mapear a onda perfeita.
Mergulhar em Noronha.
Acordar no meio da noite, olhar a pessoa que você ama e dizer, como você me faz feliz.
Entregar o projeto de expansão para seu chefe e ele dizer, perfeito parabéns.
Tomar banho de chuva sem medo da gripe, de estragar o sapato novo ou de desmanchar a chapinha.
Assistir o show da sua banda favorita, na primeira fila e ainda passar no camarim para dar abraço, tirar foto e ganhar autógrafo.
O que faz você feliz?
Reconhecer suas fragilidades e saber é capaz de superá-las
Dormir de conchinha em noite de inverno, naquele hotel da serra com muita chuva lá fora e no quarto apenas vocês e o calor da lareira
Seu filho chegar da escola e dizer ...descobri que você é a pessoa mais importante da minha vida...
Viajar, sem parar, indo para vários lugares, estando lá e acolá sem referências, porque você escolheu não ter tempo, não ser amado, não ser desejado e mesmo assim ser feliz.
O que me faz feliz?
Saber que você esta lendo este texto e que por alguns instantes consegui fazer você pensar sobre, o que faz você feliz.
Muito obrigada pela oportunidade.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Avenida dos loucos


O faz com que as pessoas parem para assistir o resultado de um acidente de transito. Atitudes como esta criam transtornos, bloqueiam vias, criam engarrafamentos, prejuízos, quando não novos acidentes.
Que estranho poder tem uma briga pública onde duas ou mais pessoas se “pegam” seja por palavras, atos ou mesmo por vias de fato.
Porque o desespero, o sangue, a angustia, a maledicência, a insanidade e a raiva atraem tantos olhares?
Porque tantas pessoas investem tanto do seu tempo assistindo a degradação e a loucura do ser humano?
Porque o folhetim Avenida Brasil, atrai tanto olhares?
Venho buscando respostas, mas nenhuma delas convenceu ou minimizou dúvidas.
Fiz tentativas, vez ou outra zapeando o controle tentei permanecer por mais de dez minutos assistindo a novela, mas foi impossível.
Todos os núcleos, assim são chamados os espaços onde estão “configurados” os personagens, são de total e absoluta demência.
A casa do brisa tem de tudo até bulling com  uma doce, carente e delicada criança que em vão tenta ganhar carinho e atenção, isto sem contar com a avó doida que berra e exige valorização da família, impondo a chamada “moral de cuecas”, mentirosa, falsa e adultera.
Tem ainda o milionário bígamo que segundo soube, agora ele é pobre, a criatura possui três mulheres todas insanas que disputam palmo a palmo o Don Juan.
A dona do salão viveu anos esperando a louca mor largar o brisa e por conta desta espera usou e abusou do amor e da dedicação do dono do bar. 
Tem ainda ao que eles estão chamando de Dona Flor, que violência com a obra do Grande Jorge Amado.
Mas de tudo o que realmente impacta são os personagens do lixão.
Uma novela escrita por  Manuel Carlos, criaria alternativas produtivas para os envolvidos naquele núcleo.
As crianças iriam a escola, a reciclagem do lixo seria uma forma de cuidar do planeta e os adultos seriam pessoas sofridas, magoadas, ressentidas mas com expectativas de que ainda é possível mudar o futuro.
E as protagonistas,  alguém tem dúvidas que Nina e Carminha são iguais, feitas da mesma massa, possuem o mesmo DNA, uma louca pela vingança a outra louca pela vingança.
Enfim não há um único núcleo ou  personagem saudável, a avenida é de loucos, insanos, dementes.
A pior de todas as respostas que recebi para a questão, porque tantas pessoas assistem o panfleto foi... isto é o Brasil....
Como assim “cara pálida” temos nossos doidos, corruptos, bandidos, mas inegavelmente somos trabalhadores, determinados, inovadores e dotados de uma capacidade absurda de criar todos os dias um novo dia, apesar de todos “eles”.
A única explicação que beira o aceitável é a qualidade dos atores, em sua quase totalidade são de primeiro escalão, mas definitivamente a mim não convence.
Agora vamos combinar que na terra nostra os laços de família levaram o porto dos milagres encontrar o clone na terra dos milagres com as mulheres apaixonadas e que a senhora do destino que tinha celebridade e belíssima na america onde o paraíso tropical não tinha duas caras nem era favorita mas mostrava o caminho das índias para viver a vida com passione, enfim rir, chorar, aprender ou mesmo torcer por alguns personagens, sempre foi melhor do que ficar no sofá esperando passar a Avenida dos Loucos. 

domingo, 2 de setembro de 2012

Eles preferem as doidas.



Escrever aqui é um projeto há muito adiado.
Ficar diante desta tela com o que imaginava ser uma “firme determinação”, algo do tipo ... pronto é hoje, vou começar a escreve ...aconteceu algumas vezes.
Uma determinação tão firme que era transferida para  amanhã, depois e depois.  
Passaram-se tantos meses que hoje quando um belo domingo de o sol chama para passear, olhar ruas calmas, parques tomados por gente sem pressa, curtindo a família, sem qualquer “plano” que não seja ver o dia acontecer, cá estou.
Sem planos, sem firme determinação que não seja esperar um bom filme na TNT, sento diante desta telinha e começo a escrever o primeiro de muitos textos para o meu blog.
Em alguns dos momentos de “firme determinação”, cometi a impropriedade de anunciar para alguns amigos o inicio deste projeto e pasmem, referi o título do primeiro texto Eles preferem as doidas.
Não sei como acontece o processo de criação dos escritores, jornalistas, blogueiros, enfim gente que usa as palavras para externar o sentir em suas mais diversas formas e estágios.
Quero crer que de alguma forma eles estiveram próximo aquilo e, portanto aptos a opinar, testemunhar, esbravejar, expor sua raiva, dor ou o que é melhor o relatar o prazer incondicional por ter vivido aquela experiência. 
Eles preferem as doidas não é diferente.
Estar apaixonado, amando alguém é sem sombra de dúvidas um dos melhores momentos das nossas vidas.
É sentir frio na barriga, um amigo disse certa feita que este sentimento traduz tesão, talvez ele esteja certo.
Enfim frio na barriga,  mão gelada, tremedeira quando ele te abraça dormir de conchinha, vinho e boa comida, noites, manhãs e tardes inteiras de sexo, risadas, pouca comida e lezera total.
Importante mencionar que ingredientes como amizade, respeito à individualidade, espaços predefinidos e construídos a partir do acho que é legal assim, isto não me faz bem, não gostaria de repetir modelos e mais um pitada de é bom para nós, é bom para o nosso futuro, faz parte da receita para o prato ideal, relacionamentos maduros e prazerosos.
Tudo ótimo.
Parceiro perfeito, tempos mais que adequados, até o dia em que as estruturas são abaladas pela doida.
E que é a doida????
A doida é uma pessoa que já passou na vida da criatura “alvo’, recebeu um sonoro acabou, terminamos, mas definitivamente ela não aceita não como resposta.
Ela tem  “necessidades especiais” e usa de forma “diabólica” a doença, diagnosticada como bipolaridade aliada à falta de respeito e educação. 
A doida é aquela moça que fuça no celular, nas contas do cartão de crédito, liga várias vezes na madrugada, no meio da aula, durante a reunião, grita, chora, faz confusão e depois diz ... a culpa é sua...
O que era perfeito passa a sofrer ataques via torpedos, telefonemas “anônimos” para o escritório com recados absurdos e ameaças.
Como nada é para sempre e para sempre sempre acaba, como diz a canção da Cássia Eller, chega o dia em que a calma, a paciência e a tranqüilidade dão lugar ao cansei estou saindo da nossa história.
O que acontece na continuidade do embate entre a doida, a sã e o alvo é clichê, foram felizes para sempre.
A sã decide cuidar da vida, antes que a demência  assuma o controle, o risco de contaminação nestes casos é muito grande.
O alvo e a doida continuam construindo a insana felicidade do desrespeito, consolidados pela falta de dignidade e desamor.
As experiências proporcionam aprendizado para tomadas de decisão com melhor embasamento.
Ser, estar ou querer ser doida ou  sã esta no projeto de vida de cada um de nós, a diferença é saber como realmente queremos escrever nossa história de felicidade.