domingo, 18 de novembro de 2012

O Teórico.


Um dos primeiros experimentos na escola depois de aprender a ler, escrever, fazer “continhas” e exibir aquele estojo maravilhoso cheio de canetinhas multicoloridas é colocar grão de feijão no copo, com água e algodão, em poucos dias os primeiros brotos começam a nascer.
Parece incrível, mas é pura adrenalina e emoção chegar à escola, correr até a sala de ciências e ficar olhando para o copo, sempre quis passar a noite olhando e esperando para ver a teoria se tornar prática.
Os anos passam tomamos conhecimento de novas e fantásticas doutrinas, algumas delas passamos a testar vez ou outra.
Uma teoria que acabamos experimentando é a teoria dos bêbados, se você bebeu, deitou na cama e ela girou, basta  colocar um dos pés no chão, neste caso somos testemunhas de um verdadeiro milagre.
Evidente que no caminho encontramos teorias mais importantes como a da relatividade, tempo e espaço são relativos e estão profundamente entrelaçados.
Existe também a teoria da libertação, da evolução, da administração e várias outras.
A campeã é a teoria da conspiração, passada rápida pelo Dr. Google mostra que existem mais de cinqüenta e todas são maravilhosas.
Na carona dos princípios do Albert, teorias estão diretamente relacionadas a teóricos, ou seja, “seres contemplativos” que no caso é muito mais que entrelaçamentos, simples assim.
Quantos de nós nos relacionamos com teóricos, pessoas que   conhecem, discutem e justificam posições a luz do conhecimento científico, como por exemplo, a migração das borboletas monarcas.
Outra classificação destes seres especulativos pode ser encontrada nos teoristas, pessoas que conhecem os princípios de uma ciência, mas que não a praticam.
Em ambos os casos, teóricos e teoristas são verdadeiramente o pior dos pesadelos, tão ruins quanto filmes de suspense seriados como pânico, sexta-feira 13, atividade paranormal e outros tantos.
A que se considerar que estamos tratando dos exageros, dos falsos, em suma dos sem conteúdo pleno e dos sem atitude efetiva.
Enquanto o teórico discorre com veemência sobre a importância da poeira cósmica tendo como base a leitura do post do facebook, o teorista sugere mudanças na vida dos amigos sem nunca ter pagado aluguel ou a cota do condomínio.
Diálogo e tomada de posição com teóricos e teoristas é apenas e tão somente perda de tempo, afinal o desgelo é fato e o dia termina quando o sol se põe.
Uma das melhores traduções que ouvi sobre alguém foi ele vive em constante sedução pela vida, gostei tanto que adotei como slogan.
Impacta saber que existem pessoas em idade adulta que ainda moram na casa dos pais, que dependem do aval de alguém para tomar decisões ou que ainda esteja esperando o príncipe encantado.
Fazer teorias sobre a melhor forma de conduzir a vida dos amigos é fácil, difícil é ter atitude e fazer acontecer.
Discutir sobre as quantidades de bites necessárias para logar um sistema é fácil, difícil é reconhecer o tanto de amor, carinho e generosidade que existe num único abraço.
No final teórico e teorista são os tristes, desamparados e sem emoção.
Acredito que sequer sejam capazes de gargalhar e chorar diante da mais inusitada das cenas.
Se teoria é contemplação, exame e especulação talvez estas criaturas devam saber que a vida acontece fora do laboratório.
Ficar protegido no quartinho do nascimento não nos torna completos e complementares, portanto faz carão, coloca aquela roupa favorita, o melhor cheiro e se joga porque bom mesmo é bater de frente, rir e chorar, tomar vento na cara e chuva no corpo.
Viver em constante sedução pela vida é mais que uma viagem com boas paisagens e serviço de quarto cinco estrelas é fazer acontecer mesmo que vez ou outra abrir a porta e sair do conforto da casinha da mamãe possa significar um eca pisei no barro.
Agora vamos combinar se até as borboletas monarcas migram porque você ainda não fez as malas, ah já sei esta chovendo e a sua rua não têm calçamento.

domingo, 11 de novembro de 2012

Olhar amorosamente


O crescimento do mercado de pets shops é um absurdo considerando que o Brasil continua sendo um país de miseráveis.
É inegável que hoje temos mais comida na mesa, eletroeletrônicos de melhor qualidade e viajamos com maior freqüência, mas estamos longe de sermos  muito mais do miseráveis.
Afirmar que somos miseráveis gera desconforto, vamos reconsiderar,  talvez miseráveis em ascensão esteja suficientemente próximo as nossas “áreas de conforto”, afinal olhar o mundo a partir do primeiro andar é melhor do que estar no térreo.
Dar aula de economia ou questionar erros, acertos e fazer projeções sobre números definitivamente não é a minha melhor qualidade,  competência não falta para um longo e arrazoado texto apresentando considerações de parte a parte.
Poderia começar pelas teorias da mais valia, chegando as decisões de livre mercado, passando por compras por indução, efeito recompra pela internet, cruzando pela sustentabilidade e finalizando na teoria da libertação, a comercialização da teve a cabo esta passando por crença religiosa, questões demasiadamente áridas para as propostas do blog.
O fato é que estas são questões menores, olhar a vida amorosamente é um ato de amor, mesmo que ela seja absurdamente miserável.
Se de um lado as vendas de produtos de pets shops estão crescendo assustadoramente, no outro lado existem cãezinhos e gatinhos usando camas mais macias, comidinhas melhor elaboradas, casacos, lenços, coleiras, saias e  jóias mais sofisticadas.
Tudo isto sem esquecer carrinhos de bebês sendo usados para transportar os bichanos.
A luz da economia o alto volume de vendas nas pets seria uma equação básica da oferta e  procura, simples assim.
O que deixamos de considerar é o agente, aquele que faz as aquisições e o mais importante a razão, porque alguém gasta tanto em uma pet shop.
Algumas pessoas consomem mais de R$ 120,00 por mês,  valor do ticket médio por estabelecimento, obtido a partir de pesquisa realizada em algumas lojas em diferentes regiões de Porto Alegre.
Evidente que existem exceções, gastar trezentos reais ou mais não é incomum, isto sem considerar mudança da  estação e a renovação do enxoval, novos lençóis e cobertores, correntes, coleiras com assinatura de griffes.
Quando a família tem filhos o bichano passa a ser o mano, usa camiseta do time, senta no sofá nos jogos da final, em fim a zorra é total.
Pessoalmente confesso que relações com os meus animais de estimação e cães sempre foram os meus favoritos, nunca excederam ao correr junto pelas ruas da cidade, tomar banho de mar, deixar pular na cama para fazer uma “festinha”, colocar a cabeça no colo e aguardar a vez para comer um petisco do churrasco.
Conheço casos em que o bichinho tem lugar na mesa, tem prato igual e as pessoas da casa não devem ter certas “liberdades”, eles podem ficar nervosos.
Mas afinal porque as relações chegaram a este ponto, porque os animais estão ocupando tanto espaço e em alguns casos  se tornaram os tiranos de alguns membros da família.
A grosso modo se pode afirmar que fácil mesmo é transferir afeto, difícil é transferir medo, derrota e dor.
Quando alguém se entrega em amor, atitudes e presentes a um bichano, em condições consideradas exacerbadas, exatamente o que ela esta fazendo, ou melhor, o que ela esta tentando dizer?
Acredito que ela esteja retribuindo um olhar amoroso que somente aquele cachorro ou aquele gato são capazes de ofertar.
Olhar amorosamente supera toda e qualquer capacidade de entendimento do mercado ou da economia, é apenas e tão somente inexplicável.
No filme Sempre ao seu lado todos choramos e nos divertimos com o cãozinho Hachi, mas nada é mais forte do que os olhares trocados entre ele e o dono, interpretado por Richard Gere.
Cumplicidade, respeito, amizade, carinho, dignidade, alegria, felicidade e um eu sei o que você esta sentindo que somente os nossos bichos são capazes de saber, sensações que tiram o chão e nos devolvem a vida.
Gastar os tubos para materializar gratidão e amor, talvez não seja a melhor das alternativas, mas liberdade também pode significar eu amo você.
O fato é que nem mesmo os nossos maiores amores são ou foram capazes de traduzir aquele olhar que vigia nossos passos, vela nosso sono e óbvio baba a nossa cara na hora de dizer....bom dia vamos correr, preciso me exercitar...
Talvez a individualização não seja o norte para gastanças em pet shop.
Talvez os bichanos possam ser apenas sinônimos de alegria e felicidade, porque olhar amorosamente deveria ser nossa melhor forma de ver a vida sempre.
Das frases atribuídas ao filme Sempre ao seu lado, sugiro esta como reflexão ... se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu, porque estar como você é um pedaço dele...
Que as Pedritas, Megas, Argus, Krueis, Zeus e os Marvins estejam atentos e aguardando os nossos reencontros, até lá transferir afeto esta permitido, olhar a vida amorosamente é a minha sugestão.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Chegadas e Partidas


 Existem poucos lugares tão cheios de emoções quanto os aeroportos.
Gente chegando e partindo a todo instante.
Beijos, abraços, lágrimas de alegria e felicidade.
Pessoas desesperadas porque seus amores estão partindo.
Pais, mães, namorados, esposas, filhos enfim,  não existe um único ser humano com suas “faculdades afetivas” disponibilizadas para emoção, que não seja tocado em chegas e partidas.
Todos nós temos uma ou mais histórias que envolvem um abraço apertado, um longo beijo, um sorriso e uma dor que aperta o peito de tal forma que morremos, mas quando aquela pessoa especial atravessa o portão do desembarque, pronto, lá vem à cura, ressuscitamos
Evidente que aeroporto é apenas referência, chegadas e partidas acontecem a todo instante e queiramos ou não, mudam vidas, desconstroem pessoas, relacionamentos e obviamente também são fontes de muito prazer, alegria e felicidade, afinal nada é definitivo nem mesmo a tristeza da partida.
Apresentado por Astrid Fontenelle, o programa Chegadas e Partidas, foi premiado em 2011, pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, o programa mostra além de idas e vindas histórias amor e belas lições de desapego, vá e seja feliz.
Astrid esta doente, lutando para não partir e deixar o filho Gabriel que tem apenas quatro anos e foi adotado.
Em entrevista a Folha Astrid afirmou: "Seria uma sacanagem eu ficar comprometida ou morrer. Deus não pode fazer isso com ele. Tenho que ficar boa pelo meu filho."
Ficar e lutar, mover céus e terras para fazer valer o tanto de amor, determinação e coragem que existe em todos nós é acima de tudo comprometimento com o futuro, com a vida que desejamos viver.
Diuturnamente estamos chegando ao trabalho novo, partindo de um relacionamento mala, encontrando e nos despedindo de amigos que fazem a diferença e sem os quais nossas vidas teriam sentido menor.
Associar chegadas e partidas a imagens de construção e desconstrução, traduz a capacidade que cada um de nós possui de superar e recomeçar.
Necessariamente ir e vir não significa dor e tristeza, chegadas e partidas podem sugerir amadurecimento.
Há que se ter claro o fato de que aquele momento não voltará, não haverá segunda chance.
Não beijou, não abraçou, segurou o choro, engoliu a frase, tremeu, fugiu, não compareceu, lamento informar, mas você perdeu.
Perdeu a maravilhosa oportunidade de viver e experimentar o melhor que a vida pode nos proporcionar, a fantástica sensação de existir plenamente ou por algum momento você considerou a possibilidade de não sofrer ou chorar  porque tem em mãos a passagem para a próxima ponte aérea.
A Preta Gil disse outro dia no The Voice Brasil ... sou babado, confusão e gritaria...
Minha leitura para a afirmação da Preta é ... não regule a “mixaria” se jogue e viva...
Despeça-se, abrace, beije e chore amanhã aquela pessoa incrível poderá não estar mais no Brasil, na Europa ou no planeta,  sejamos babado, confusão e gritaria, estas são algumas das melhores formas de nos sentirmos vivos e felizes.
E ai o que você decide, vai regular a mixaria ou vai partir para o abraço???