Era uma vez...
As histórias infantis via de regra começam com esta frase.
Era uma vez dois irmão, João e Maria que moravam com o pai e a madrasta. Um dia quando a comida começa a ficar escassa, a madrasta convence o pai que as crianças dever ser "esquecidas" na floresta, João ouve a conversa, foge no meio da noite a procura de pedrinhas que possam indicar o caminho de volta.
O final desta fábula todos nós conhecemos.
Outras tantas histórias infantis tão ou mais sedutoras do que esta embalaram nossos sonhos e o nosso sono.
Hoje temos desenho animado em terceira dimensão, livros "falantes", sites que contam histórias incríveis cuja personagem principal é uma "patricinha" ou um menino estiloso que luta e tem armas secretas, no melhor estilo 007.
Passagem de tempo, desenvolvimento, adequações, o fato é de que as histórias infantis têm como objetivo evocar o lado lúdico, criar espaço para viagens fantásticas e óbvio continuar fazendo sonhar.
Pergunte as suas crianças qual delas não gostaria de ser a Pequena Princesa ou Simba.
As respostas serão afirmativas para ambas as questões.
No paralelo temos ainda Sherek e sua Fiona, as crianças simpatizam, mas raras gostariam de ser um destes personagens.
Aparentar ou representar o belo, o vencedor esta intrínseco em todas as nossas atitudes, em nosso caminhar do dia a dia.
A diferença básica consiste em como realmente somos, como desejamos ser vistos, apreciados e o mais importante como estamos nos fazendo ver.
Uma das minhas histórias favoritas é Branca de Neve e os sete anões.
A fábula narra a história de uma princesa que ao ser descoberta pelo espelho mágico de sua madrasta como a mulher mais bonita do mundo, foge para a floresta e passa a viver e cuidar da casa dos sete anões.
Um dia a madrasta malvada, disfarçada de uma velha senhora, oferece uma maçã a Branca de Neve, ela morde a fruta e cai em sono profundo.
Um príncipe beija Branca de Neve fazendo com que ela acorde, eles se casa e são felizes para sempre.
Não fosse o fato de a madrasta postar-se regularmente frente ao espelho e questioná-lo sobre sua beleza, Branca de Neve jamais conheceria o príncipe, não seria uma moça moderna que sai de casa em busca de seus objetivos e principalmente ela não teria aprendido a viver sozinha e desprotegida.
A história é tão inovadora que a casa dos sete anões poderia ser uma república, no melhor estio estudantes paulistanos cursando faculdade no interior.
Evidente que a "mistura" dos moradores faz toda a diferença para o perfeito transcurso da história, afinal somos ou não a melhor referência de nós mesmo.
Imagine conviver com uma pessoa feliz, outra dengosa, uma soneca que poderia ser considerada preguiçosa, uma sábia, verdadeiramente uma mestra na acepção da palavra.
Para temperar ainda mais o clima podemos colocar alguém muito zangado, uma mimosa, a dunga da história e para finalizar um toque de desconserto, o alérgico, o atchim.
Navegar, compartilhar espaço com tantos matizes não deve ser tarefa fácil.
Voltando para a madrasta malvada e o espelho, inspiração perfeita para Narciso, as respostas negativas eram tudo o que ela esperava ouvir.
Espelho, espelho meu, existe mulher mais bela do que eu?
Refletida através de um amontoado de tintas, vidros, e prata, a malvada acreditava que a única forma de ser feliz era através da inconquistabilidade de sua beleza.
Espelho é o resultado de uma superfície de metal superpolida, que reflete muito bem a luz e fica no meio do espelho. Por trás dela, existe uma camada escura, normalmente de tinta preta, que absorve a luz que vem de trás do espelho e impede que ela "vaze" pela camada refletora de metal. Na frente do metal fica uma camada de vidro, que dá solidez ao espelho e protege a película metálica contra riscos que distorçam a reflexão dos raios de luz.
A partir desta tradução me ocorre que somente a luz permite reflexos, ou seja, reprodução e multiplicação de imagens.
Reproduzir-se significa multiplicar-se, ser reflexo e reflexão
Os melhores espelhos do mundo são fabricados na Índia.
O processo é milenar, passado de pai para filho.
Segundo os fabricantes a imagem produzidas por espelhos indianos é nítida e refratada, não existem similares no mundo.
A questão que se coloca é a seguinte, o que você esta refletindo.
Um zangado ou um feliz.
Um mestre ou um soneca, preguiçoso.
Sua imagem é a esperada ou a real.
Seu espelho esta mostrando o quão bom podemos ser todos os dias ou você esta tentando de forma voraz e nefasta tragar seus parceiros de viagem.
Espelho, espelho meu existe alguém no mundo mais generoso, ético, sincero e carinhoso do que eu?
Questione-se, reflita, mude, transforme-se.
Faça o que for necessário para mudar e transmutar-se
Se nada disto for possível, apague a luz, fique no escuro, desta forma você não poderá refletir-se, não poderá multiplicar-se, isto não seria perfeito???